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Eleições: Lula quer que Alckmin e Haddad sejam candidatos em São Paulo

(O Globo) O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira que o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ou a ministra do Planejamento, Simone Tebet, podem ser candidatos ao governo de São Paulo. Lula aumentou a pressão sobre Haddad ao dizer que ele e Alckmin sabem que “têm um papel a cumprir”.

O ministro da Fazenda tem dito publicamente que não quer ser candidato neste ano, mas é instado por correligionários a disputar as eleições em São Paulo. A preocupação do PT é evitar que o candidato de oposição a Lula na corrida ao Planalto abra uma grande vantagem sobre o petista no estado, o que, segundo essa avaliação, poderia ocorrer se o palanque estadual não for forte.

Lula e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (Foto: Agência Brasil)

Nesse contexto, é lembrado o papel de Haddad em 2022, quando o petista levou a eleição contra o governador Tarcísio de Freitas ao segundo turno e contribuiu para que o então presidente Jair Bolsonaro não se distanciasse tanto de Lula, que chegou a ser mais votado que o adversário na capital do estado. Na ocasião, Haddad perdeu para o bolsonarista Tarcísio de Freitas por uma diferença de 2,4 milhões de votos, ou 55,34% a 44,66% dos votos válidos.

— Nós temos muito voto em São Paulo e temos condições de ganhar as eleições em São Paulo. Eu ainda não conversei com o Haddad, ainda não conversei com o Alckmin, mas eles sabem que têm um papel para cumprir em São Paulo, eles sabem. A Simone (Tebet) também tem um papel para cumprir, também não conversei com ela — disse Lula em entrevista ao Portal UOL.

Aposta em Simone Tebet

No caso de Tebet, o cenário mais provável é que a ministra deixe o MDB para disputar o Senado por São Paulo, uma vez que o diretório paulista do partido é próximo ao bolsonarismo e deve apoiar o candidato do atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Ela tem convite para se filiar ao PSB.

— Acho que a gente pode ganhar as eleições (para o governo estadual) em São Paulo se a gente escolher um candidato a governador, o Alckmin ou o Haddad, a Simone Tebet. Nós vamos ganhar aquelas eleições em São Paulo, porque é o seguinte: quem é que fez mais política social? Quero comparar com os governadores — disse Lula.

Articulação do PT

Um grupo do PT encarregado por Lula de articular sua reeleição pretende fazer uma ofensiva para incluir o MDB na chapa que será levada às urnas em outubro. O principal trunfo a ser oferecido ao partido é o posto de vice, o que deslocaria Alckmin para a disputa eleitoral de São Paulo. Atualmente, a legenda ocupa três ministérios no governo, mas a cúpula emedebista resiste a um alinhamento eleitoral.

Caso um acordo vingue, os citados para eventualmente ocupar o posto de vice de Lula são Renan Filho e o governador Pará, Helder Barbalho. Ambos têm, no momento, planos de disputar a eleição em seus estados, concorrendo ao governo e ao Senado, respectivamente.

Renan Filho: cotado para ser candidato a vice de Lula (Foto: Ricardo Stuckert)

A história do MDB sempre foi marcada por divisões regionais. Mesmo quando a legenda formalizou as alianças com Dilma Rousseff em 2010 e 2014 com a indicação de Michel Temer para vice, houve dissidências em estados como o Rio Grande do Sul.

Por isso, a cúpula do PT sabe que seria impossível contar com o apoio integral do partido e tenta construir uma aliança formal no plano nacional que garanta o tempo de televisão para o petista, mas com liberação dos diretórios estaduais.

Pressão em Haddad

Haddad também têm sido pressionado por ministros petistas, como Camilo Santana (Educação) e Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), a ser candidato em outubro. Santana disse em entrevista ao GLOBO que o colega de Esplanada não pode se “dar ao luxo” de tomar decisões individuais. Haddad tem resistido e afirma que prefere participar da coordenação da campanha à reeleição e, nesta semana, disse que nas conversas com Lula sobre o assunto “resta saber quem vai convencer quem”.

— Estou conversando com o presidente sobre isso. Vamos ver quem convence quem.

Palanque em Minas

O presidente também voltou a defender que o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) seja candidato ao governo de Minas Gerais. O ex-presidente do Senado está reticente em entrar na disputa e provavelmente teria de trocar de partido para ser o candidato de Lula ao governo mineiro, uma vez que a sigla de Kassab no estado filiou neste ano o vice-governador Matheus Simões, aliado de Romeu Zema (Novo) e possível candidato à sucessão no estado.

— Ainda não desisti de você, viu, Pacheco. Vamos ter uma conversa e acho que você pode ser o futuro governador de Minas Gerais — afirmou o presidente.

Fonte: Mais Goiás

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