Quando tinha 10 anos, Vitor Hugo Martins Alves se ofereceu para ajudar a tia a fazer tortas que ela vendia nas feiras de Goiânia. As tortas de Maria de Fátima Rosa (em especial a de brigadeiro) não só adoçaram a infância do sobrinho, como moldaram o adulto que ele viria a ser. Começava assim uma história de amor com a confeitaria que levou Vitor Hugo aonde ele está hoje.
Vitor hoje tem 29 anos e é formado em engenharia de produção. Desde 2021, ele vende tortas de fabricação própria nas feiras do Jardim Nova Esperança (toda quinta), da Cidade Jardim (toda sexta) e do Moreirinha (todo domingo). No instagram, são 301 mil seguidores. No Tik Tok, outros 251 mil. E vídeos que, em alguns casos, mesmo sem recursos sofisticados de edição, já alcançam 5,5 milhões de visualizações.
O empresário, que se inspira na também confeiteira Mariana Perdomo, começou com dinheiro de um acerto trabalhista oriundo da única experiência dele como trabalhador CLT. Em 2020, Vitor Hugo era gerente de logística de uma transportadora de grãos e a empresa precisou fazer uma série de cortes em razão da pandemia. Ele recebeu cerca de R$ 7 mil e foi essa grana que ele resolveu empreender.
“Em fevereiro de 2021, fiz a primeira feira. Peguei o acerto de 7 mil, comprei geladeira, estoque, e comecei na cozinha da casa da minha mãe. Na primeira feira, o movimento foi fraco, e pra piorar veio outra onda da pandemia em fevereiro de 2021. Meu dinheiro ficou parado”, lembra o empresário.
Vitor Hugo persistiu e, em 2023, começou a usar as redes sociais para se promover. “Sempre gostei muito de internet. Aos 12 anos, tentei até fazer um canalzinho de Minecraft”, lembra ele. “Com o tempo, fui entendendo melhor como funciona. Antes eu fazia vídeo editado, dava muito trabalho. Mas fui percebendo que meus vídeos que viralizavam eram os mais simples, do dia a dia. Sem fazer edição”.
Veio então a virada de chave: depois do sucesso nas redes sociais, Vitor teve que sair da cozinha da mãe e alugou uma casa no Jardim Atlântico, de cerca de 80 metros quadrados, para usar como centro de produção. A casa ficou pequena e ele mudou a fábrica de novo para um imóvel maior, de uns 150 metros quadrados, no residencial Monte Carlo.
Os 14 sabores de torta
A esposa, Maria Catharina Moreira e Silva, deixou a Contabilidade para trabalhar no empreendimento. O casal ainda contratou duas funcionárias com carteira assinada e duas freelancers, que ajudam nas feiras. Hoje, eles vendem cerca de 85 tortas por semana. Os sabores são de dar água na boca: Ninho com morango, Ninho com brigadeiro, Ninho com Kit Kat, Ninho com Nutella, Prestígio, Abacaxi com coco, Ninho com morango trufado, Brigadeirão, Maracujá trufado, Bombom de uva, Leite ninho puro, Sonho de Valsa, Ouro Branco e Red Velvet.
Diferenciais: fartura e atendimento
Para o empresário, o negócio deles tem dois diferenciais: o primeiro é o atendimento, que ele considera ser o mais importante. O segundo é a fartura da fatia que ele vende (R$ 30 por um sabor e R$ 35 por dois).
“Todo dia atendo gente de fora, que vem por causa dos vídeos. As pessoas ficam empolgadas, porque se sentem dentro dos vídeos que eu posto”, relata.
É justamente o desafio de manter um excelente atendimento que preocupa Vítor Hugo. Ele tem planos de crescer, abrir pontos físicos de venda, criar o delivery ainda esse ano, mas não abre mão do que o fez crescer até aqui. “É um dilema, de fato. Só darei esse passo depois de ter certeza que as pessoas que treinei atenderão tão bem quanto eu atendo”.
Veio aí o 1º filho
Vitor e Maria Catharina acabaram de virar pais, o que torna a empreitada ainda mais exigente para o casal. O Mais Goiás perguntou se o empresário gostaria de ver Isac, nascido em outubro de 2024, seguindo os caminhos dele como um dia ele seguiu os passos da tia. Ele respondeu: “Se ele quiser, amém. Estarei pronto para ensinar”.
Fonte: Mais Goiás











