O Colégio Estadual em Período Integral (Cepi) Lyceu de Goiânia foi reinaugurado nesta sexta-feira (23/1), após passar por um processo de reconstrução iniciado em janeiro de 2024. Prestes a completar 90 anos de funcionamento, a unidade passa a operar como a primeira escola bilíngue (português/francês) da rede estadual de ensino de Goiás. O investimento total na obra foi de R$ 20 milhões.
O projeto arquitetônico manteve o estilo Art Déco e incluiu a ampliação e o restauro da área histórica do prédio, tombada desde 2005 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. A intervenção seguiu diretrizes de preservação do patrimônio histórico, com restauro de elementos originais, recomposição de fachadas, manutenção da volumetria e adequação dos ambientes internos. As áreas tombadas passaram por recuperação estrutural e atualização das instalações elétricas, hidráulicas e de acessibilidade, sem descaracterizar o conjunto arquitetônico.
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Solenidade
Durante a solenidade, o governador Ronaldo Caiado afirmou que a obra alterou o cenário da unidade. “O Lyceu de Goiânia tinha acabado, já não existia mais. Tinha uns 180 alunos. Hoje, tem 800 alunos, com mais de 1,5 mil inscrições”, disse. Segundo ele, o investimento está associado à política educacional adotada pelo estado. “É a educação cada vez mais valorizada. Avançamos em mais um detalhe, buscando oferecer aos nossos alunos a condição de competitividade no cenário nacional e mundial”, declarou.
Caiado também comentou as tratativas com a Embaixada da França para ampliar a cooperação internacional. “Estamos buscando a possibilidade de que os alunos do ensino médio tenham oportunidade de fazer cursos em períodos de férias e até intensivos na França. Esse intercâmbio é de uma relevância muito grande para nós”, afirmou.
A articulação foi precedida por uma visita técnica realizada em outubro de 2025, quando uma delegação do Liceu Legta Étienne Restat, da França, esteve no Lyceu de Goiânia para conhecer a estrutura física, o projeto pedagógico e as condições de funcionamento da unidade. A visita teve como objetivo avaliar a viabilidade da cooperação educacional e alinhar metodologias relacionadas ao ensino bilíngue na rede pública estadual.
Representantes franceses também participaram da cerimônia de reinauguração. O chefe de Cooperação da Embaixada da França, François Legué, destacou o trabalho conjunto. “Isso é o resultado de vários meses de esforços e trabalho conjunto. A educação é prioridade e compartilhamos os mesmos valores: ela é fator de realização pessoal, espírito crítico e diálogo”, afirmou. Ele acrescentou: “Obrigado por ter dado um lugar tão importante ao francês no sistema público de ensino. Estamos honrados e orgulhosos”.
A coordenadora do Goiás Social e primeira-dama, Gracinha Caiado, lembrou o histórico da escola. “O Lyceu formou muitas referências e pessoas que fizeram história em Goiás. Hoje, ele volta a ser referência e terá alunos do ensino público fazendo uma língua de outro país em um espaço que não foi apenas reformado, mas reestruturado na sua íntegra”, disse.
O vice-governador Daniel Vilela afirmou que a entrega tem caráter simbólico. “O Lyceu é um ícone de Goiás. Estamos fazendo um reencontro com os dias mais gloriosos do nosso passado e, ao mesmo tempo, oferecendo um presente para o futuro de Goiás”, declarou. “Aqui haverá a formação do futuro e das mais brilhantes mentes do estado e do país”, completou.
Reforma e retorno dos alunos
Antes do início das obras, o Lyceu de Goiânia atendia cerca de 180 estudantes, do 8º e 9º anos do Ensino Fundamental e do Ensino Médio. Durante o período de reconstrução, esses alunos foram transferidos provisoriamente para outra unidade da rede estadual, para garantir a continuidade do ano letivo. Com a conclusão da obra, parte desses estudantes retornou ao Lyceu, que ampliou sua capacidade por meio de novo processo de matrícula.
As aulas começaram na segunda-feira, 26 de janeiro de 2026, poucos dias após a reinauguração. A escola funciona em regime de ensino integral, com jornada diária válida para todas as turmas, do 8º ano do Ensino Fundamental à 3ª série do Ensino Médio. As atividades têm início por volta das 7h e seguem até aproximadamente 16h30 ou 17h.
O edital de matrículas, aberto em dezembro, registrou mais de 1,5 mil solicitações. Das 800 vagas preenchidas, cerca de 30% — aproximadamente 240 estudantes — são oriundos da rede privada. Ao comentar o dado, Caiado afirmou: “Veja o padrão da educação que estamos construindo”.
Com a conclusão das obras, o Lyceu de Goiânia passou a contar com 23 salas de aula, além de laboratórios de robótica, idiomas, informática, programação, biologia, química, matemática e física, biblioteca, auditório, quadra poliesportiva coberta e espaços de convivência.
Fonte: Mais Goiás









